Lacerated and Carbonized: Resenha de Narcohell

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Por Carlos MetalBrain

O primeiro álbum é a o cartão de visita de uma banda. Há casos em que esse primeiro álbum é o melhor trabalho da carreira, nunca ultrapassado pelos lançamentos seguintes….

O segundo é a afirmação, mas, também uma dura etapa, em que a banda, normalmente sob pressão, precisa mostrar que aquela estreia não foi fruto do acaso. Muitas bandas falham aqui quanto às expectativas geradas pelo trabalho de estreia.

O terceiro…..Aqui já é a sério!! O desafio mais difícil é este: o 3… O temível 3!!! Agora, além da pressão de corresponder às expectativas, tem outros objetivos. A banda tem que mostrar o que a distingue da concorrência: se tem ou não personalidade e som próprio, se não é apenas mais uma no meio de muitas…Mais uma ovelha no meio do rebanho….

Mas, o 3, marca também um outro ponto de virada. É aqui que, regra geral, define-se se a banda vai ser para um público local ou….Se vai ganhar uma posição global no mundo do Metal!!!

O Lacerated and Carbonized, banda formada em 2006, no Rio de Janeiro, por Jonathan Cruz (vocal), Caio Mendonça (guitarra), Paulo Doc (baixo) e Victor Mendonça (bateria), formação que mantém até hoje, lançou em 2011 o álbum Homicidial Rapture. Este álbum foi a apresentação ao mundo do Metal, criando desde logo altas expectativas…

Dois anos depois, em 2013, The Core of Disruption, não só veio corresponder às elevadas expectativas da excelente estreia, como veio, sem dúvida, criar outras bem mais elevadas!! A experiência acumulada de várias turnês pelo continente americano e uma formação sólida, a banda já existia há 7 anos neste período, fez deste segundo álbum um monstro de proporções épicas!!

…E depois veio o terceiro!

 

Será que o LAC iria sobreviver e ultrapassar este temível obstáculo???

SIM!! Sem dúvida, e com distinção…

Narcohell é uma bomba, um verdadeiro petardo de técnica, velocidade, groove, raiva e revolta, ou seja, daquilo que a gente gosta!

Liricamente, aqui a banda, definiu o seu universo: a violência, o crime, o tráfico de drogas, a corrupção e a dura e brutal realidade da sua cidade natal, Rio de Janeiro, a.k.a. Hell de Janeiro, bem expresso pela excelente capa e pelas letras em Inglês e Português (por vezes, misturadas na mesa música), e interpretadas magistralmente por Jonathan Cruz, num estilo versátil, brutal e carregado de atitude “in your face”.

Musicalmente, o LAC move-se com com maestria própria de banda Old School (afinal, são já 10 anos!!!), entre os ritmos blastbeat, o groove arrasador e meio tempo carregado de expressividade musical!!
Temos como pontos fortes, a qualidade abismal de uma sessão rítmica devastadora e super coesa, o trabalho inteligentíssimo de uma guitarra que tem a maestria de fazer o certo no momento certo, sem nunca ser de menos, nem demais, e um vocal que tem o seu ponto forte no clássico e brutal growl Death Metal, mas que viaja por muitas outras técnicas vocais….

Além destes pontos óbvios, gostaria de chamar a atenção para algo bem peculiar e, ao mesmo tempo original, aqueles detalhes que definem a personalidade própria de uma banda, e que por vezes passam despercebidos. Mas, que são realmente importantes para o resultado final….

O trabalho de bateria de Victor Mendonça, em muitas partes, entre o sub-gênero splatter, bem apoiado pelo trabalho do baixo e até do vocal. No entanto, a guitarra de Caio Mendonça, não entra nesses territórios, mantendo uma sonoridade e uma dinâmica muito própria, inteligente e marcadamente Death Metal mais clássico. E é desta dualidade, se assim queremos dizer, que resulta a originalidade, a marca própria, o tal “não sei bem o quê”, que distingue os que marcam a história….e os outros!!!

Temas de destaque??? Ahhhhhh essa é fácil: TODOS!!

Sabe aquele álbum que não tem como ouvir por partes?? Que apenas se revelam como um todo?? O Reign in Blood, o Master of Puppets, o Cause of Death?? Bem, o Narcohell é assim mesmo….são 38 minutos e 25 segundos de porrada, onde todos os pontos fortes são distribuídos por todos os temas, como uma só manta que cobre o álbum inteirinho!!!

Agora desculpem por não fazer a conclusão final!! Vou ouvir o Narcohell!!!

“Assassino, estuprador
Você vai morrer
Meliante, filho da puta
O inferno em Bangu 3!!”


Carlos “Metalbrain” Bessa nasceu, cresceu e morrerá ouvindo metal e seus subgêneros. Carlos é um headbanger angolano, sócio do selo Cube Records, o único selo dedicado ao metal e seus subgêneros em Angola [África], e produtor do festival Rock no Rio Catumbela, considerado um dos maiores festivais dedicados ao rock em                   território africano.

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