It’s a long way to the top… If you wanna…: Rock no Rio Catumbela 2016

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O guitarrista Paulo (M'vula) durante apresentação no Rock no Rio [Créditos: José Alves]

It’s a long way to the top… If you wanna…: Rock no Rio Catumbela 2016

Antes de começarmos…Alguns pontos…

Nos primórdios da construção da cena musical do metal, os shows ao vivo consistiam na forma principal de promoção das obras lançadas pelas bandas, devido ao pouco espaço midiático dedicado ao gênero musical, no passado. A arena de shows se transformou em uma das principais experiências da cena do metal, isto é, um momento em que o álbum adquire vida. Claro que o álbum é um dos pilares do consumo do gênero musical, mas, preciso contextualizar aqui o caso de Angola.

Como as estruturas do mercado fonográfico ainda estão em desenvolvimento, pelo contexto do pós-guerra civil, poucas bandas de rock/metal possuem álbuns lançados para consumo. Logo, o pilar de consumo do rock angolano é o show ao vivo, principalmente, na forma dos dois maiores festivais, Rock no Rio Catumbela, na Catumbela, e ORLEI [O Rock Lalimwe Eteke IFa], no Huambo, em alguns eventos dedicados ao rock e em programas de rádio como Volume 10 e Muzangola Rock. O mais legal de tudo é perceber que o Rock no Rio Catumbela tem sido um dos responsáveis pelo circuito do rock e do metal em Angola, já que o Rock in Rio, aqui no Brasil, foi um marco de consolidação da sonoridade, em janeiro de 1985. Logo…A consolidação do rock em terras angolanas é uma questão de tempo… Contudo, ao contrário do nosso Rock in Rio, o Rock no Rio Catumbela tem entrada gratuita. Assim, qualquer pessoa que queira curtir música é bem-vinda.

Primeiro dia do Rock no Rio

A quarta edição do Rock no Rio Catumbela teve algumas surpresas, este ano, nos dias 7 e 8 de outubro. O line-up foi dividido em dois palcos: Mundo, mais dedicado ao pop, world music e música popular angolana, Rock, o qual teve bandas de variados subgêneros do rock. A abertura do festival, às 19h30, ficou por conta do apresentador e radialista Toke É Esse, idealizador do Muzangola Rock, programa da rádio Luanda Antena Comercial [LAC], e da cantora Irina Vasconcelos, então vocalista da banda Café Negro. As coreografias do grupo de dança Street Dance ML aqueciam o público para a primeira atração do Palco Mundo, Jeff Brown.

Apesar de a pergunta de Toke, “Quem gosta de rock?”, não ter sido respondida com muita empolgação do público, isso não significa que o rock ali seja hostilizado. Na realidade, parte das pessoas presentes no público estavam tomando contato com a sonoridade pela primeira vez, como um dos produtores da Cube Records e do Rock no Rio Catumbela, Carlos Bessa, havia me informado em conversas anteriores.

A primeira atração do Palco Rock foi a banda de rock Sentido Proibido, de Luanda. Para quem observava a desenvoltura do vocalista Nilzo no palco e a concentração dos integrantes, durante a performance, talvez não imaginasse o desafio que o grupo enfrentava: era a primeira apresentação do grupo no Rock no Rio, já considerado o maior festival de rock de toda a África. Acrescente a isso buscar formas de cativar um público que estava ali, em sua maioria, não exclusivamente pelas atrações de rock.

A performance do Sentido Proibido
A performance do Sentido Proibido {Créditos: José Alves}

Quando Nilzo anunciou que uma das canções seria uma balada, dedicada a um amor, o público se animou novamente e bateu palmas, durante a performance. Apesar de a banda possuir três anos de formação, o vocalista Nilzo, os guitarristas Edmilson e Hernani, o baixista Igor e o baterista Fau Splash animaram o público com as canções “Não desistas”, “Fazia tudo”, “Lágrimas”, “Mente Para Mim” e o cover Mbiri Mbiri, recebido com empolgação pelo público. No momento, o Sentido Proibido tem trabalhado na própria marca sonora e visual do grupo, tendo como norte realizar fusões com diversos gêneros musicais.

A próxima atração do Palco Mundo, Still Rolling With Times, apresentou um show com fusões entre o blues based rock, o pop rock e até um pouco de reggae.  Este foi o show de estreia do SRWT no Rock no Rio Catumbela e achei a situação curiosa, pois havia presenciado o show de estreia do grupo no festival Rock Huambo, em 2014. Com as músicas A Fuga, Ser Feliz e My Baby, o Still Rolling With Times proporcionou um show mais intimista que agradou o público. A formação do Still Rolling With Times é Wilker Flores [vocais/guitarra], Dieu Kiyedi [baixo] e Las Vegas Lasirem [bateria]. O trio está procurando misturas entre o rock, jazz, reggae, funk, sebene, rumba congolesa, blues e, nos planos do grupo, metal também.

No Palco Rock, a apresentadora Yara Pais Chitumba anunciou o “girl power trio” sul africano Cortina Whiplash, já queridinho de Benguela. Retornando ao Rock no Rio, Loandi [vocais/baixo], Tessa [guitarra] e Auriel [bateria] deixaram mais do que claro de que lugar de mulher é no rock, sim, senhor [machistas não passarão aqui 🙂 ]. A atitude de palco das garotas é totalmente rock and roll e as meninas já estão preparando um novo álbum para o ano que vem. Uma dica para o fandom de Pj Harvey: vale a pena ver uma performance do grupo. Vocês vão entender quando se depararem com a vocalista Loandi. A receptividade do público encantou tanto as integrantes a ponto de a vocalista perguntar, em certo momento da apresentação, quem gostaria de se casar com ela.

Cortina Whiplash: Lugar de mulher é no rock {Créditos: José Alves}
Cortina Whiplash: Lugar de mulher é no rock {Créditos: José Alves}

O público ainda curtiu no Palco Mundo, o Projecto Indigo, e no Palco Rock, o quarteto Pop Show. Pop Show apresentou covers de clássicos do rock como We Are The Champions [Queen] e Purple Rain [Prince] já embalando o público para o próximo show do Palco Mundo, Paulo Flores.

O show do cantor Paulo Flores era um dos mais aguardados da noite. Era visível pela observação da reação do público a cada vez que os apresentadores Toke É Esse e Irina Vasconcelos lembravam sobre a atração. Paulo é um dos principais nomes da música angolana e tem uma rede de admiradores na Europa, por exemplo. O público literalmente se acabou de tanto dançar ao som de semba e pop.

Todos os tons de Angola na performance de Paulo Flores {Crédito: José Alves}
Todos os tons de Angola na performance de Paulo Flores {Crédito: José Alves}

Após Paulo Flores, o Palco Rock dominou a noite com as bandas Beside, Basicantes e Before Crush. Cada uma tentou cativar o público a sua forma. Beside intercalou canções mais agitadas, com transição de vocais limpos e rasgados, e baladas. Entre uma música e outra, o vocalista perguntava para o público “Quem gosta de rock”?. Pergunta vencedora da noite, o público continuava sem saber o que responder. Fiquei me perguntando o que esta pergunta, afinal, queria dizer: Quem gosta de rock, o gênero musical? Quem gosta de rock, o estilo de vida? O que seria o rock, afinal, para aquele público que estava ali?

O Palco Rock ainda teve Basicantes, uma banda que me chamou atenção pelos integrantes jovens e pela sonoridade mais ligada ao pop rock, mas com algumas passagens funkeadas. O grupo parecia ter uma base de fãs no público, pois ao final de cada música, o vocalista gritava para o público “barulho!” e muitos gritos de meninas eram dados como resposta. O Before Crush, com Queirós Ladino [vocais], Nick Costa [bateria], Costinha [guitarra] e Alex [baixo] fez um show mais calmo, com mais baladas e a participação da cantora Fiona.

Quem fechou a noite foi o grupo de black/death metal de Luanda/Benguela, Horde of Silence, outra banda produzida pela Cube Records, assim como o Before Crush. Já passava das 1h, e os integrantes Yannick Merino [bateria], Jayro Cardoso [guitarra], Seth Williams [contrabaixo] e William Sazanga [vocal] iniciaram o show com uma introdução instrumental com um clima soturno, pesado. Em dado momento, uma pessoa no público começa a gritar “começa logo a tocar”!. Apesar do elemento cômico, o público não tinha a menor ideia do que estava por vir. Se a túnica preta usada por William assustou algumas pessoas na plateia, posteriormente, o peso, a intensidade dos timbres, a transição de vocais guturais e limpos, a distorção e as expressões dos integrantes deixaram a plateia de cabelo em pé. Contudo, o que achei mais interessante foi que, em momento nenhum, a banda foi hostilizada. Apenas vi olhares curiosos que tentavam compreender o que se passava no palco.

O black metal poderoso do Horde of Silence {Créditos: José Alves}
O black metal poderoso do Horde of Silence {Créditos: José Alves}

Fiquei impressionada com o baterista Yannick, cuja velocidade e concentração no uso dos pedais duplos e dos blast beats tão amados do metal extremo deu a impressão que um buraco seria aberto no palco. Em certo momento do show, Carlos Bessa, produtor da Cube Records e do Rock no Rio, também subiu ao palco e ficou observando Yannick com um sorriso no rosto. Eu também estava sorrindo. Não sei se estávamos sorrindo pelo mesmo motivo. Mas, ali estava acontecendo algo peculiar: era uma banda de black metal tocando para um público massivo, com 5 mil pessoas mais ou menos e que – provavelmente -estavam tomando contato com a sonoridade pela primeira vez. Para quem compreende como o metal é atravessado pelos dois modos de produção, circulação e consumo de música, mainstream e  underground, e a própria posição do black/death metal na música popular, tocar este subgênero do metal para um público amplo foi um fato incrível. O Horde of Silence tocou Kalemba, Verbus Exuro Pro Eternus, Lacrimae Mortalium e Carnivorous Wounds, cujas letras em português, inglês e latim misturam mitologia angolana e espiritualidade.

Segundo dia do festival

 Um fato curioso do segundo dia do festival, 8, é que apesar da separação da programação em Palco Mundo e Palco Rock, as atrações do Palco Mundo tinham um pé no rock, com a quantidade de fusões realizadas pelos artistas, como as bandas Minimus, Jack Nkanga e Botto Trindade. Por volta das 21h, o apresentador Toke É Esse subiu ao palco para anunciar a abertura dos trabalhos, o qual ficou a cargo novamente do DJ Ricardo Alves. Quem abriu o Palco Rock foi a banda de Luanda, Hiflow, com Ndombele Freddy [vocais/guitarra], Tiago Oliveira [teclados], Humberto Torrinha [contrabaixo] e Marcos Nunes [Bateria]. A sonoridade do grupo possui fusões do jazz, rock, funk, música eletrônica. Foi um show que agradou o público, o qual dançou bastante. Achei curioso que, apesar das fusões com o rock realizadas pelo Hiflow, um grupo de street dance, que havia feito a abertura do festival, começou uma disputa de passos de dança na área VIP, enquanto o show acontecia.

O show animado do Hiflow [Créditos: José Alves]
O show animado do Hiflow [Créditos: José Alves]
Após o show de Botto Trindade, no Palco Mundo, foi a vez do Fênix Project assumir o Palco Rock. Fênix Project é o novo projeto do então guitarrista da banda angolana Café Negro, Edy British, e trouxe além das canções autorais, dois covers de rock internacional, All The Small Things (Blink 182) e Swallowed, da banda Bush. Em um momento da apresentação, lutando com os papeis que voavam com as letras das músicas, Edy disse que havia orgulho de estar ali como uma das pessoas que lutam pelo rock em Angola.

No Palco Mundo, a cantora Irina Vasconcelos, então vocalista da banda angolana Café Negro, demonstrou como está explorando outras vertentes da música nacional e internacional para além do rock. O público animou-se com a mistura de jazz, pop e rock realizada pela cantora que realizou uma apresentação impecável. Para quem não sabe, a banda Café Negro ganhou o prêmio de Melhor Banda do Ano no Angolan Music Awards, em 2014.

A expressividade da Irina em ação {Créditos: José Alves}
A expressividade da Irina em ação {Créditos: José Alves}

Quando a próxima atração do Palco Rock, M’vula, foi anunciada pela apresentadora Yara Paz, vi um corre-corre de pessoas da área VIP direcionando-se para o mosh pit, a querida área em frente ao palco. Mas, a empolgação e a expectativa em torno do show da Melhor Banda de Rock da África, segundo o Africa Music Awards [AFRIMA] 2015, era visível no público como um todo. M’vula possui seis integrantes: os rappers Lil Jorge e MG, nas guitarras, Paulo Albuquerque e Hugo Domingos ‘Red Kimba’, Bruno Braz [baixo] e Edson Marques [bateria], os quais realizam fusões com rap, metal e rock e elementos sonoros angolanos. Durante o show do M’vula, além de observar que o público misturava formas de demonstrar o quanto estava gostando do show, alguns dançavam, outros pulavam ou colocavam as mãos aos ar, como o título de uma das canções tocadas, percebi que as pessoas faziam coro. A vocalista Loandi, do grupo Cortina Whiplash, fez uma pequena participação na música Tristezas e Alegrias.

O rap invade o metal ou o metal invade o rap? M'vula em ação {Créditos: José Alves}
O rap invade o metal ou o metal invade o rap? M’vula em ação {Créditos: José Alves}

Entre as músicas tocadas estavam as já conhecidas Volume 10, Filhos dessa Luta, do EP Tempestade e as novas Skills, A Luta, Não Sei, Tristezas e Alegrias, Focus, todas inseridas no novo álbum Focus. O mês de novembro será um mês especial para a banda, já que participarão do AFRIMA 2016, nos dias 4 a 6 de novembro, concorrendo a duas categorias “Best African Rock” e “Best African Group”. No dia 19 será o lançamento oficial do álbum Focus.

Já fazia anos que não via uma banda de rap metal ao vivo e havia me esquecido como os vocais cantados com as rimas do rap são poderosos para se passar mensagens positivas. Há algo que pensei vendo o M’vula no palco: por que não há tantas bandas de rap metal no circuito, caso comparemos com os outros subgêneros do metal? O metal tem medo do rap ou o rap tem medo do metal?

Esta pergunta pode soar ridícula já que grandes bandas como Aerosmith e Anthrax juntaram-se a Run DMC e Public Enemy para fazer a mistura do rock/metal com o rap, ou até mesmo, Rage Against the Machine, um dos ícones do subgênero [tanto que o M’vula lançou o riff de Killing in the Name em certo momento da apresentação]. Lembrei até do Planet Hemp no caso do Brasil. Mas, cadê as bandas de rap metal hoje? Se realmente ainda existe certa resistência entre o rap e o metal, o M’vula veio para reforçar que esta definição de fronteiras não faz o menor sentido. O legal é misturar as duas culturas e bring the noise.

O guitarrista do M'vula Paulo e Gene Simmons mostram o que é o rock {Créditos: José Alves}
O guitarrista do M’vula, Paulo, e a camisa do Gene Simmons mostram o que é o rock {Créditos: José Alves}

Ainda teve o show do Black Soul, banda de Luanda, que apresenta um som mais ligado ao grunge, mas possui transições com o metal também, com os vocais gritados e limpos. O grupo possui o EP Chegando, lançado em 2013, com quatro canções Espaço Vazio, Anymore, You Are Lier, Guerra a Sangue Frio. You Are Lier abriu mosh em frente ao palco e animou os rockers de plantão.

A chegada do rock no show do Black Soul {Créditos: José Alves}
A chegada do rock no show do Black Soul {Créditos: José Alves}

O Palco Mundo também recebeu o músico Zé Beato e Os Desempregados com Zé Beato [vocais/guitarras], Anderson Gavião [percussão e backing vocal], Costinha [guitarra solo], Ediene Dolbeth [bateria]. O grupo apresentou canções já conhecidas do público como “A fumar um boi”, do álbum CRU, lançado em 2014, e Put A Keep Are You, o qual teve o verso “puta que pariu” cantado em coro pelo público.

Enquanto o público ainda gritava “Puta que pariu” e Zé Beato se despedia do público, a última atração do Palco Rock, a banda Dor Fantasma, subia ao palco para mostrar o thrash metal old school. Se o Dor Fantasma tem a proposta de apresentar uma sonoridade ‘crua’, sem delongas, com muito peso, bem próximo aos códigos culturais do thrash metal mundial, isso não significa que tenha caído no clichê do subgênero. Há uma ligação forte com o que conhecemos como thrash metal, mas a bandeira de Angola colocada no palco demonstrava que o local não foi deixado para trás. No show do Dor Fantasma teve headbanger invadindo palco para banguear, teve mosh em frente ao palco, teve o baterista do Horde Of Silence, Yannick, pulando do palco para moshar com os amigos.

Faster and harder: O peso do thrash metal angolano no show do Dor Fantasma {Créditos: José Alves}
Faster and harder: O peso do thrash metal angolano no show do Dor Fantasma {Créditos: José Alves}

Também tivemos o headbanger Tersio Dario vestido como Mandingo, durante a performance da canção de mesmo nome. Segundo o vocalista Pagia, com Mandingo, a banda apresenta um regresso ao espírito e à história do escravo de etnia mandinga, o qual morreu lutando pela liberdade de seu povo. Os versos consistem em pragas lançadas por um mandingo aos senhores de engenho, além da mensagem de que se deve lutar para se conseguir o que se deseja, nunca ir pelo caminho mais fácil para isso.

A presença de mandingo durante a performance do Dor Fantasma {Créditos: José Alves}
A presença de mandingo durante a performance do Dor Fantasma {Créditos: José Alves}

Esta foi a segunda apresentação do grupo como um quarteto, agora com Pagia Chitumba [vocais/baixo], Jayro Cardoso e Amílcar Gonçalves [guitarras] e Gildo Lancelot [bateria]. Vi o Dor Fantasma, pela primeira vez, no Festival Rock Huambo, em 2014, e fiquei muito feliz por ter presenciado a evolução do grupo tanto na parte técnica quanto conceitual, durante as canções Visions of Suicide, Infected Life e Fighting for freedom. O grupo está realizando as gravações do EP no Estúdio 2, em Luanda, sob a produção de Tiago Oliveira [Hiflow] e pretende lançá-lo em breve.

Já no fim do Rock no Rio cheguei à conclusão de que a experiência acabou me aproximando do caminho ÁRDUO, mas, não IMPOSSÍVEL, como já sabemos, de construção dos circuitos do rock e do metal nas diversas periferias da vida. E estou falando de periferia para periferia. O rock e seus subgêneros como linguagem universal, com cenas musicais que compartilham de seus códigos, acabam te dando um sentimento de comunidade. No mais, a lição que estes festivais têm me mostrado já é mais do que conhecida da cena do rock. Mas, vou deixar o próprio AC/DC falar:

I tell you folks, it’s harder than it looks
it’s a long way to the top, if you wanna rock and roll
it’s a long way to the top, if you wanna rock and roll
if you think it’s easy doin’ one night stands
try playin’ in a rock roll band
it’s a long way to the top…
Mas, somos todos Filhos dessa Luta e não desistimos nunca 🙂

O produtor Carlos Bessa e a comemoração de mais um Rock no Rio realizado {Créditos: Rock no Rio Catumbela}
O produtor Carlos Bessa e a comemoração de mais um Rock no Rio realizado e de seu aniversário {Créditos: Rock no Rio Catumbela}

Line-Up Rock no Rio Catumbela 2016

07/10/2016

Palco Mundo: Jeff Brown
Palco Rock: Sentido Proibido
Palco Mundo: Still Rolling With Times
Palco Rock: Cortina Whiplash
Palco Mundo: Projecto Indigo
Palco Rock: Pop Show
Palco Mundo:  Paulo Flores
Palco Rock: Beside
Palco Rock: Before Crush
Palco Rock: Horde of Silence

08/10/2016

DJ Ricardo Alves e Street Dance – 17h
Palco Mundo: Minimus
Palco Rock: Hiflow
Palco Mundo: Botto Trindade
Palco Rock: Fênix Project
Palco Mundo: Jack Nkanga
Palco Mundo: Irina Vasconcelos
Palco Rock: M’vula
Palco Rock: Black Soul
Palco Mundo: Zé Beato
Palco Rock: Dor Fantasma
Palco Mundo: Prince Wadada

 Os primórdios do Rock no Rio

A primeira vez que ouvi falar sobre o Rock no Rio Catumbela, festival realizado na cidade da Catumbela, na província de Benguela, como boa brasuca, logo, brinquei: “Eita! Espero que o Medina não saiba disso!”. Apesar da brincadeira, enquanto observava as atrações da  4a edição do RNR, o imaginário de que existem mais coisas entre os circuitos do rock/metal brasileiro e angolano do que imagina nossa vã cena musical ficaram mais evidentes. Só para deixar claro, o Rock no Rio Catumbela até possui uma inspiração indireta do Rock in Rio, mas a história por trás da idealização do festival é bem divertida.

O produtor da Cube Records  [único selo fonográfico em Angola dedicada ao rock/metal], Carlos Bessa, e um dos idealizadores do Rock no Rio Catumbela, contou que a Cube Records começou a promover o festival underground Avalanche Rock And Metal Festival, em Benguela e, ao procurar por contatos de patrocinadores para os eventos, conheceu o diretor comercial da cervejaria Soba Catumbela, Jorge Arrulo. Desta parceria, não somente as edições posteriores do Avalanche receberam apoio da Soba Catumbela, mas também surgiu a proposta de realizar um festival em homenagem à “subida no ranking” da Catumbela de distrito para município, no dia 5 de outubro de 2011.

Para comemorar o aniversário do município da Catumbela, em 2013, a Soba preparou uma série de eventos culturais e Jorge Arrulo entrou em contato com Carlos para que a Cube Records criasse um evento dedicado ao rock. Após uma reunião com os diretores da Soba Catumbela, Carlos começou a pensar como o rock poderia fazer parte das festividades da cidade.

Eu saí da fábrica em direção ao centro da Catumbela e passei na marginal da Catumbela, que tem um rio, né? Rio que chama Catumbela. Rio Catumbela, que é ali na marginal. Então, parei o carro e pensei: “vou sentar aqui um bocadinho e vou pensar”. Então, comecei a elaborar uma ideia assim…”Ah, que ele tinha pedido para fazer um concerto de rock, mas um rock mais calmo, meio acústico, ok. Sentei assim ali e comecei a olhar para o rio e o rio tem muito pouca profundidade, muito pouca mesmo”, contou Carlos.

Sentado na marginal em frente ao rio, Carlos começou a pensar em como seria este evento dedicado a um rock menos pesado. Neste período do ano, o rio possui pouca profundidade, o que permite que as pessoas andem com a água até a altura dos joelhos. Isso animou Carlos a pensar em realizar o festival naquele espaço, colocando o palco literalmente no leito do rio, com tochas nas margens iluminando o ambiente.

“Aí o nome Rock no Rio Catumbela. Pronto. Não foi aquela de pensar: Ah, vou arranjar um nome, vou aproveitar o Rock in Rio. Não, não foi isso. Digamos que temos o nome na cabeça, esse nome, claro, Rock in Rio, mas, colocar bandas a tocar dentro do rio é Rock no Rio, não tem como. Não tem como não ser [risos]”, disse o produtor.

Se a proposta inicial do Rock no Rio Catumbela era promover bandas de rock e pop/rock para um público formado em sua maioria por pessoas que não são próximas do gênero musical, aos poucos atrações com mais peso foram inseridas para se criar uma cultura mais ligada ao metal também. O Rock no Rio já tem o título de maior festival dedicado ao rock no continente africano.

Agradecimentos, afetos e recordações

Gostaria de reforçar que me considero uma pessoa privilegiada por ter obtido mais esta experiência em Angola. Por isso, o sentimento de gratidão é enorme a todas as pessoas que me deram suporte e que dedicaram um tempinho de suas vidas para compartilharem suas histórias. Meus profundos agradecimentos ao Carlos Bessa [Cube Records] e Jorge Arrulo [Soba Catumbela]; ao casal Antonio Videira [Toke É Esse] e Ana Santiago que cuidaram de mim com todo o carinho e atenção e acabaram me colocando em um regime de engorda :). Jorge Tomas e “Celi” pelas caronas e pelo apoio; Dominga, Filó e Simão pelo cuidado.

Aos grupos Dor Fantasma, Horde of Silence, Instinto Primário, M’vula e Sentido Proibido, o radialista Luís Fernandes [Volume 10] pelas conversas, pelas caronas, pelos bolos e, mais do que tudo, pelo incentivo à minha pesquisa deixando que invadisse os ensaios, tivesse acesso às gravações dos álbuns e realizasse as entrevistas. O agradecimento se estende ao Tiago Oliveira, Pagia e Amílcar por terem me deixado ir ao Estúdio 2 ver a gravação do álbum do Dor Fantasma.

Saudações especiais e gratidão a Yannick Merino, William Sazanga, Hélio Cruz e Seth Williams pela carona a Benguela, deixando uma viagem de 6-7h muito divertida e com muito metal na playlist. Fiquei muito feliz de fazer mosh no carro a cada vez que o carro passava por um buraco na rodovia de Benguela. \m/

Luis Padrela por ter me emprestado a câmera fotográfica já que sempre esqueço o carregador da bateria. José Alves por ter me cedido algumas imagens incríveis capturadas por ele.

Também fiquei super feliz de ter reencontrado Wilson Pipas e Yuri Almeida, os quais me levaram para conhecer o bar Saraiva, em Luanda, e pelas boas conversas sobre a cena rocker; Manel Kavalera [obrigada pela camisa do Cortina Whiplash e pelas cervejas!], Yara Paz, Adla, Wilker Flores, Sonia Ferreira, Zé Beato, Anderson, Nick, Queirós e Costinha… E todo mundo que acabei conhecendo nas idas e vindas dos bastidores do festival.  Conheci pessoas inspiradoras, que me deixaram com muita saudade de Angola, não apenas pelos momentos de afeto proporcionados para esta brasileira perdida no mundo, mas também pelas histórias de luta e amor em torno deste gênero musical. Muito obrigada mesmo! 🙂

 

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