Iron Man – Minha jornada com o Black Sabbath – Tony Iommi

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O tamanho pode até assustar à primeira ‘folheada’: quatrocentas páginas recheadas de histórias do pai do heavy metal, Tony Iommi. Porém, a quantidade de páginas e de capítulos [90] não prejudicou a qualidade do texto e do conteúdo. Os capítulos mais legais são os que contam as origens do guitarrista [classe trabalhadora], sua relação com os pais [Iommi era encarado pelos pais como caso perdido] e os bastidores das gravações da discografia do Black Sabbath. O capítulo 6 “Por que você não mostra logo esse dedo?” conta o acidente de Iommi no último dia de trabalho na fábrica. Acidente que modificou a vida do músico e do ‘rock’ para sempre.

“Tudo correu bem durante a manhã. Depois de voltar do horário de almoço, pisei no pedal e a prensa veio direto na minha mão direita. Quando puxei a mão de volta por reflexo, as pontas dos meus dedos foram arrancadas”.

Mas, ele persistiu, mesmo com a dificuldade para tocar após o acidente.

“Parte do meu som advém da aprendizagem de tocar principalmente com os dois dedos bons, o indicador e o mindinho. Faço os acordes com eles e depois aplico o vibrato. Uso os dedos decepados especialmente nos solos. Quando puxo as cordas, uso o dedo indicador, e também aprendi a puxá-las com o dedo mindinho. Consigo puxá-la em menor grau com os outros dedos. Antes do acidente, eu não usava o dedo mindinho para nada, então tive de aprender a usá-lo”.   

Outras histórias legais são os trotes que Iommi fazia sempre com Bill Ward. Em um episódio, Iommi chegou a tacar fogo na barba do companheiro, e as chamas se espalharam pelo corpo do baterista. Os problemas da bexiga de Ozzy e outras cenas hilárias, como as confusões que ele aprontava durante as gravações, também foram detalhadas pelo guitarrista.

As idas e vindas nas formações, as dificuldades enfrentadas pelo guitarrista para manter o foco na carreira, e a relação confusa com Dio, por exemplo, foram contados sem ressentimentos. Aliás, há um capítulo sobre Dio, onde Iommi descreve como lidou com a morte do amigo [capítulo 88].

Outra parte engraçada é quando Iommi relata as excentricidades do vocalista Ian Gillan (Deep Purple), em sua passagem pelo Black Sabbath. Tudo é contado sem desrespeitar ninguém. Uma atitude louvável, digna de um cavalheiro.

 Também nos deparamos com [muitos] detalhes da vida pessoal do músico: os casamentos e os divórcios; o problema com as drogas; a luta para conseguir a guarda de sua filha Toni-Marie; e o encontro com Maria Sjoholm, ex-vocalista da banda sueca Drain STH [que eu fico com raiva até hoje por ter acabado], atualmente, esposa do guitarrista.

É um relato bem sincero… De um músico britânico que se orgulha de sua história. Para ter superado determinadas coisas que passou, só sendo um Iron Man mesmo.

“E agora não preciso provar mais nada a ninguém. Anos atrás, eu tentava provar para as pessoas que eu conseguia fazer isso e aquilo, mas, hoje em dia, gosto muito do que faço e só preciso provar para mim mesmo o que posso fazer. É claro que tenho arrependimentos, muitos. No entanto, acredito que, sem eles, não teria aprendido nada”.

Crítica: Subdivisão de capítulos em excesso. Mas, nada muito grave.

Iron Man: Minha jornada com o Black Sabbath, Tony Iommi [com T.J. Lammers], Nota: 9,5
Título: Iron Man

Preço: R$27,90

ISBN: 978-85-422-0119-2

Ano: 2013

Páginas: 400

Tradução: Tatiana Leão

Editora: Planeta.

Iommi

 

 

Por: Melina Santos, Editora Metal Ground

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